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quarta-feira, 18 de junho de 2014

Quatro meses e tanto sem quimio!

Êeee!
Meus cabelos já crescem, minhas unhas se normalizam, meu sistema imunológico funciona melhor e os enjoos quase sumiram por completo.

As sequelas são poucas, tudo se recuperando:
- Fiz ultrassom para ver como está meu sistema reprodutor e minha médica notou uma diminuição no tamanho dos ovários, mas segundo ela, normal para quem fez 8 meses de ABVD. Se eles não continuarem atrofiando, não vai influenciar em nada.
- Meu cabelo está bem doido, uns chumaços de oito meses de idade, outros de quatro, outros de cinco... hehe! Está estiloso! Haha!
- Memória curtíssima, esqueço completamente coisas importantes e sem importância. Tipo um dia que acordei, plena quinta feira e passei o dia em casa, arrumando e limpando. Quando o dia terminou, até me ocorreu: será que estou esquecendo de alguma coisa? Bom, perdi um dia inteiro de aula da faculdade. Hahahaha! Fiquei indignada. Isso sem contar o que as pessoas me confiam e eu logo esqueço, ai até eu explicar, fico com fama de desinteressada. Enfim, em uma aula de Botânica me apresentaram ao Ginko biloba, uma planta com poderes medicinais comprovados que atuam a favor das conexões cerebrais e principalmente pela memória. Está ajudando muito! Além do médico ter indicado palavras cruzadas, sudoku e quebra-cabeça.
Uma frase irônica: Saí da última consulta e lembrei que esqueci de perguntar sobre minha falta de memória.

Ginko biloba. Fonte -  http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/as_controversias_do_gingko_biloba.html

- Um mês após o fim da quimio, perdi quatro quilos. Será que cabelo pesa tanto? Bom, já os recuperei.
- Sempre que vou fazer a limpeza do cateter me bate uma náusea psicológica, mas cada vez menos.

Enfim, tudo indo...
Até que...
Semana passada tive um baita abscesso no pescoço, nem sei bem por quê, mas ficou bem inflamado e dolorido. Aí quem resolveu aparecer? Benditas ínguas! Sim, gânglios inchados no pescoço. Bateu aquele desespero quando percebi, já me programei pra fazer o transplante de medula até. Hahaha! Viva a ansiedade. Então liguei para o meu médico e contei o que aconteceu: ele me acalmou e disse que tem que sair íngua quando temos uma infecção e normalmente elas são só isso. Disse que terminei o tratamento há muito pouco tempo e um tratamento com ótimas respostas, então muito provavelmente não é nada. Mas ficar atenta, se durarem mais de um mês ou crescerem, é pra eu voltar no hospital. Como em um mês tenho o próximo exame de controle, pelo menos consegui dormir a noite.

Além disso, nada de novo. Estou procurando manter uma alimentação saudável, pesquisando feiras de orgânicos*, optando por alimentos desintoxicantes e intercalando com atividades mais terapêuticas, tipo desenhar e escrever, já que meu corpitchu e minha cabeça merecem um descanso.
*muitos artigos que li indicam herbicidas e pesticidas, aqueles que comemos todos os dias, como principais causadores do LH. Revoltante, né?

Um beijo e boa sorte para nós!

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

2/16

Sexta feira passada fiz a segunda aplicação de quimioterapia com protocolo ABVD, o que completa um ciclo de oito que devo fazer. Até agora, nenhum grande efeito colateral... estou bem mais tranquila por isso. Dizem que cada aplicação é diferente, nosso corpo reage diferente e os efeitos são diferentes. Isso é verdade, mas em nenhuma das duas foi muito difícil: um enjoo chato nos primeiros quatro dias pós aplicação, que nem precisaram de remédio, mas que pioravam quando eu pensava na próxima sessão. Então resolvi não pensar mais. Aí melhorou. Meu sono anda estranho, no começo sentia muito sono, tudo me dava sono, até abraçar alguém me fazia querer dormir. Agora ando com uma insonia ruim, eu durmo depois de um bom tempo me concentrando nisso e depois que eu acordo, nem que seja depois de duas horas, pra voltar a dormir é quase impossível. Mas andei pensando, acho que meu psicológico está ajudando muito... no começo eu não queria nem pensar na ideia de pensar, então eu dormia o máximo que eu conseguia . Agora ando pensando demais e a hora de dormir sempre foi a mais rebelde da parte da minha mente que "produz merda". Hahahaha! Bom, a parte estes, a fadiga constante (leia-se cansaço, não sono) foi explicada: no exame de sangue que deve ser feito antes de cada aplicação para avaliar a quantidade de células no sangue, deu que meu nível de neutrófilos (responsáveis pela defesa do organismo e produzidos pela medula óssea) estava um pouquinho abaixo do normal, que é 1.500 e eu estava com 1.468. Por estar abaixo do normal, a enfermaria precisou da aprovação do médico pra fazer a aplicação e foi aprovada... uffa!
Falando nisso, encontrei os nomes e a utilidade dos remédios usados nessa quimio, correspondes a sigla ABVD e vou compartilhar, tanto em termos bem técnicos e específicos, quanto em linguagem simples e direta:

Adriamicina: também chamada Doxorrubicina, serve como Antibiótico Antitumoral e dificulta a obtenção de partes essenciais para a produção de novas células.

Bleomicina: na verdade são vários agentes que agem de várias formas e mecanismos diferentes para diminuir, estabilizar ou acabar com as células tumorais.

Vimblastina: faz com que as células cancerígenas não consigam se multiplicar.

Dacarbazina: faz com que as células em reprodução, morram. Seus agentes foram os primeiros antineoplásicos descobertos!

Todos os remédios, ABVD, atuam com o mesmo objetivo: destruir células em multiplicação descontrolada, mas em formas diferentes de atingi-las.

No meu caso, estão sendo usadas as Adriamicina, Bleomicina, Vinblastina e Dacarbazina.
Créditos a uma das moças que me ajudaram muito com o blog muito bom dela, muito informativo e calmante: Linfoma de Hodgkin Minha História, a qual me inspirou a ir além das informações que nos são dadas no hospital. Recomendo! Vou ver se eu descubro como mexer nessa joça pra adicionar o link dela aqui. Muito emocionante pra mim, ler cada passo do processo de cura dela e chegar no final em menos de uma hora, pois ela terminou a ultima aplicação no primeiro semestre deste ano, curada de um Linfoma de Hodgkin estadio III. Me deu o tipo de esperança que eu, realista esperançosa, permito me agarrar.
Então, esclarecida a função dos remédios, também esclarecida a queda da quantidade de células do corpo (células úteis, como os neutrófilos, também), eu paro por aqui. =]
Só pra constar... estou me sentindo 100% fisicamente, nenhum sinal de queda anormal do cabelo e nenhum sinal de infecção.
Boa sorte para nós!

(Tabela 3: DANTAS, Ana Cristina Amorin; SANTOS, Maria das Graças S.; RAMOS, Viviane Pereira. Protocolos de Enfermagem - Administração de Quimioterapia Antineoplásica no tratamento de Hemopatias Malignas. Hemório, 2010, 1ª Edição.) Link do livro para os interessados: http://www.hemorio.rj.gov.br/Html/pdf/ccih.pdf.